Compaixão

Tenho compaixão desta multidão (Mt 15.32)

O Evangelho registra que Jesus, em suas andanças “por todas as cidades e povoados”, ao ver as multidões, tinha compaixão delas “porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9.35-38).

A compaixão é um dos sentimentos mais identificados em Jesus Cristo. Na sua origem, a palavra “compaixão” remete a um movimento interno, profundo, vindo das entranhas e que uma vez experimentado, brota de forma concreta em ação. Jesus deixa-se perturbar por esse sentimento em várias ocasiões: diante das multidões, pelo falecido Lázaro e suas irmãs, pelos cegos, leprosos e outros doentes que Lhe acorriam aflitos. É uma generosidade de espírito que resulta em ajuda ao necessitado.

A compaixão serve de adorno em termos de beleza espiritual.
Quando uma noiva começa a planejar sua cerimônia de casamento, ela considera com muito cuidado como vai ser o seu vestido e quais enfeites que usará. A moça pensa se vai usar véu, se colocará flores no cabelo, o que levará nas mãos, se usará luvas, qual tipo de sapatos calçará. Todos estes acessórios, ou enfeites, ou adornos, são importantes para completar a beleza dela naquele dia único na sua vida. Sem os adornos, a beleza da noiva ficaria incompleta.
Nós devemos usar o adorno da compaixão em nossas vidas.

Jesus teve compaixão em muitas circunstâncias diferentes que servem de modelo para as nossas próprias vidas.

Necessidades materiais (Mt 15.32). Jesus teve compaixão no caso das necessidades físicas (neste caso, a fome). Ele sentiu esta necessidade do povo que estava sem comer há três dias, e providenciou alimentação para suprir essa necessidade.
Doença física (Mc 1.41,42). Jesus ficou profundamente compadecido vendo um homem doente de lepra e o curou.
Doença do espírito (Mc 5.2-20). Jesus viu o sofrimento do homem que estava dominado por espíritos imundos e o restaurou ao juízo perfeito. O versículo 19 nos explica que Jesus fez isto porque teve compaixão.
Necessidades espirituais (Mc 6.34). Jesus enxergou a grande multidão em termos espirituais e viu que eram como ovelhas sem pastor. Eles não tinham alguém que pudesse mostrar-lhes o caminho. Por isso, Jesus compadeceu-se deles e passou a ensinar-lhes muitas coisas.
Morte (Lc 7.11-15). Nesse dia Jesus encontrou uma situação realmente triste. Uma viúva estava indo enterrar o seu único filho que havia falecido. “Vendo-a, o Senhor se compadeceu dela e lhe disse: Não chores!” Naquela mesma hora, pelo poder de Deus, Jesus ressuscitou o jovem morto e o restituiu à mãe. A compaixão moveu Jesus a fazer um maravilhoso milagre.
Tentações (Hb 4.15,16). O autor de Hebreus nos diz que o nosso sumo sacerdote (Jesus) pode compadecer-se das nossas fraquezas, porque ele mesmo passou por muitas tentações. Ele sabe o que sentimos e as dificuldades que passamos. Ele nos oferece graça para socorro em ocasião oportuna. Podemos observar que em cada uma dessas ocasiões Jesus sentiu a dor, o sofrimento, a necessidade das pessoas e então agiu para ajudá-las.
Todos nós temos capacidade para ajudar nosso próximo.
Em cada situação a nossa compaixão nos leva a agir em benefício daqueles que estão necessitados. Se nos colocarmos (mentalmente) no lugar da pessoa, descobriremos o que podemos fazer para socorrê-la. Jesus disse: “Tudo quanto, pois quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a lei e os profetas” (Mt 7.12). O adorno da compaixão é muito importante para a nossa beleza espiritual. Vamos nos lembrar que um dos fatores que o Senhor usará em nosso julgamento final será a nossa compaixão (ou falta de compaixão).

“Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me. … sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”Mateus 25.34-36,40

Dormência Espiritual

ACORDE!!

Falando a seus discípulos Jesus certa feita disse:

“Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida” (Lc 21,34).

Ele se preocupava com a possibilidade deles deixarem que as maneiras do mundo entorpecessem seus instintos espirituais.
Quatrocentos anos mais tarde Santo Agostinho também confessou essa mesma condição de dormência espiritual. Ele contou como, antes de sua conversão, estava “tomado pelo peso agradável deste mundo”, e como ele queria acordar, mas vencido por esses prazeres mantinha-se caindo na dormência. Agostinho chegou até a ser “vencido pelas maneiras de Deus, mas então foi comprado e subjugado pelas maneiras do mundo”. Ele queria seguir Jesus mas terminou rogando, “não agora, neste exato momento, deixe-me sozinho por um pouco mais.” (Confissões, Livro 8).

Como Santo Agostinho acordou? Pela graça de Deus. No meio de uma luta interna entre seus desejos espirituais e sua maneira pecadora de ser ele pensou ter ouvido uma criança cantar, Tolle, lege, o que significa, “Tome e leia.” Agostino sentiu que este era o momento da divina inspiração. Tomado as palavras literalmente ele agarrou a Bíblia mais próxima, abriu e leu a primeira passagem sobre a qual seus olhos pousaram: “Já é hora de despertardes do sono. Nada de orgias, nada de bebedeira, nada de desonestidades, nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cisto e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites” (Rm 13,11.13-14).
Essas palavras, combinadas com o poder do Espírito Santo, acordaram Agostinho e o conduziram à conversão.

Durante nossa caminhada cristã passamos por várias fases. Costumamos chamar de ”primeiro amor” a fase inicial, imediatamente após nossa experiência de conversão ou ”novo nascimento”. Nesta fase, o novo convertido costuma demonstrar uma grande paixão por Jesus Cristo e pelo Evangelho do Reino. Nada é empecilho para ele; seu desejo em descobrir esse universo novo o motiva a buscar conhecer o Senhor, e compartilhar aquilo que descobriu com outros.

Passado esse primeiro momento, a fase de deslumbramento, sofre um arrefecimento. O período da novidade passa, e, ao deparar-se com as dificuldades normais da vida, esse primeiro amor esfria, sufocado pelas preocupações.

Quando ficamos à margem do Evangelho, ou seja, o contemplando de longe, ficamos em total dormência espiritual. Esse foi o caso do jovem Êutico, citado no texto de Atos 20: 7, 9. Ele escutava de longe a pregação da Palavra de Deus, por intermédio de Paulo. Estava sentado na janela. De repente, a palavra já não o atraía, e, acabou adormecendo. Seu sono foi tão profundo que culminou em sua queda da janela, sendo levantado morto.

A dormência espiritual é o primeiro estágio da morte espiritual. Precisamos voltar ao primeiro amor, tanto pela obra de Deus, quanto por sua Palavra. “A fé vem pelo ouvir a Palavra”. E o objetivo da fé é muito maior do que possamos imaginar; vai além da religião morta: é a salvação da nossa alma.

A Elegância do Comportamento

Mateus 5:16 nos diz: “Assim resplandeça a vossa luz diante do homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam.

E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.

É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível detectá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

Educação enferruja por falta de uso.

“LEMBRE-SE de que colheremos, infalivelmente aquilo que houvermos semeado.

Se estamos sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas. Fique alerta quanto ao momento presente. Plante apenas sementes de sinceridade e de amor, para colher amanhã os frutos doces da alegria e da felicidade. Cada um colhe, exatamente, aquilo que plantou.”

Ser Transparente

“O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre” (Salmo 73.26).

Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente?

Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros.

Mas ser transparente é muito mais do que isso.

É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente…

Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que nos empenhamos tanto para levantar…

Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde!

Mas infelizmente, quase sempre,a maioria de nós decide não correr esse risco.

Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana.

Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser…

Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas à simplesmente nos entregar diante de Deus e admitir que não sabemos, que temos medo!

Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção…

E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos.

Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado.

Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir

o que de mais precioso temos a compartilhar, doçura, compaixão…

a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos…

daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar à aqueles que mais amamos!

Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: “você está me machucando… pode parar, por favor?”

Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro.

Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor…

Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura!

Que consigamos não prender o choro,não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencível.

Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto…

Mas confiar na graça do Senhor Jesus Cristo, que nos basta…

Que consigamos docemente viver, sentir, amar…

E que você seja não só razão, mas também coração, não só um escudo, mas também sentimento.

Seja transparente, apesar de todo o risco que isso possa significar.

O Bem Maior

Nós amamos, porque ele nos amou primeiro. Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu. 1 João 4:19-20

Não existe maior bem do que fazer a felicidade de alguém. Nem nada menos caro, nem mais fácil, pois que a felicidade é algo que se pode oferecer em gestos, e atenções.

Se olhamos à nossa volta, percebemos que a carência humana está no fato das pessoas terem perdido os valores imateriais a favor dos materiais.

Compra-se quase tudo em nossos dias…mas o bem ninguém compra.

Compra-se até companhia, mas não a sinceridade.

Compra-se conforto, mas não a paz de espírito, não a tranqüilidade, menos ainda a felicidade. Esta a gente oferece.

Há uma grande diferença entre o dar e o oferecer. Quando damos, estendemos a mão, mas quando oferecemos… é nosso coração que entregamos junto, é um pedacinho de nós que vai caminhando na direção do outro e o bem que ele provoca retorna ao nosso interior.

Tornamos pessoas felizes quando damos de nós mesmos. E damos de nós quando oferecemo o que quer que seja de coração escancarado.

O grande mal do mundo consiste no fato das pessoas guardarem coisas para si. Guardam bens, guardam sentimentos, guardam declarações, guardam ressentimentos, falam ou calam na hora errada. Vivem de aparências com as gavetas da alma repletas de coisas inúteis. E quando morrem, tornam-se pó, como todo mundo, sem ter aproveitado o tempo para compartilhar, com honestidade, o bem que a vida lhes ofereceu.

A maior herança que podemos deixar à humanidade é o amor que oferecemos de várias formas, são as pequenas felicidades do dia-a-dia que vamos distribuindo aqui e acolá, a compreensão que acalma as almas inquietas e a ternura que abranda os desenganos da vida.

E o que representa a felicidade hoje pode não representar amanhã. Por isso ela é tão múltipla, tão incompreendida e tão necessária. Por isso é tão importante distribuir sorrisos, plantar flores, fazer visitas, dar bom dia e boa noite, não se esquecer dos abraços e dos te amo imprescindíveis ao coração.

Letícia Thompson

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