>experiência com Deus – e nada mais

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Há milhares de anos que há religiões no mundo, centenas e centenas, mas nenhuma religião, antiga ou moderna, conse­guiu dar paz e felicidade à Humanidade como tal, embora alguns homens individuais tenham alcançado essa felicidade.
A experiência de Deus é um fenômeno essencialmente individual, místico, nunca social; não existe nenhuma religião organizada que possa dar ao homem essa experiência. O pró­prio cristianismo, assim como ficou conhecido no curso da história, não pode dar ao homem essa experiência.
O Cristo não fundou o Cristianismo por nós conhecido; não organizou nenhuma Igreja no sentido social — mostrou o caminho indi­vidual por onde cada ser humano pode adquirir a experiência íntima de que “eu e o Pai somos um… eu estou no Pai, e o Pai está em mim”. Ekklesía (em latim ecclesia, em português igreja) é um termo não de massa, mas de elite. A verdadeira Ekklesía (de ek-kaléo, evocar) consta de pequena escola ou elite dos que foram “evocados”, selecionados da grande massa anônima dos profanos; os que foram individualmente evocados ou chamados pela graça para um contato especial com a Divindade; são os “iniciados nos mistérios do reino de Deus”.
As religiões sociais, organizadas, são necessárias para reprimir, na medida do possível, o egoísmo humano de­sencadeado pelo despertar do ego físico-mental-emocional, pela persona do ego. Mas o papel da religião social não é dar ao homem a experiência de Deus, que é um fenômeno essencialmente individual, místico, inacessível a qualquer organização.
As religiões organizadas, ético-sociais, têm dado à humani­dade muitas coisas boas — moralidade, caridade, assistência social, literatura, música, pintura, arte em geral —, mas ne­nhuma religião deu, nem jamais dará ao homem aquilo de que ele mais necessita, a “única coisa necessária”, a experiên­cia de Deus.
Quando o homem tem essa experiência, pode dispensar todas as outras coisas como supérfluas ou secun­dárias; se não tem essa experiência, nenhuma dessas outras coisas resolve o problema central de sua existência.
O problema central da existência humana é ser feliz. Mas essa felicidade não deve depender de algo que não dependa dele; não deve ser criada por circunstâncias externas, e sim deve brotar da profundeza interna do próprio homem. Felici­dade, ou pseudofelicidade, criada por circunstâncias externas, pode ser também destruída por essas circunstâncias; é precária e incerta, e por isso não é verdadeira e duradoura felicidade.
Ser feliz vem de ser bom.
Mas há dois modos de ser bom: pode o homem ser sacrificialmente bom — e pode ser jubilosamente bom. Somente esse segundo tipo de ser bom é que resolve, definitivamente, o problema central da felicidade humana. Enquanto o ser bom ainda for difícil, amargo, sacrificial, está o homem a caminho da felicidade, mas ainda não é solidamente feliz.
Enquanto o homem da terra não fizer a vontade de Deus assim como o fazem os homens dos céus — isto é, espontânea e, jubilosamente – não está garantida à felicidade do homem.
Mas esse cumprimento da vontade de Deus, assim na terra como nos céus, é impossível ao homem que não tenha experiência íntima e direta de Deus – porque essa experiência de Deus coincide com a experiência do verdadeiro Eu do próprio homem.
Se é verdade que esse Eu central do homem é “o espírito de Deus que habita no homem”, no dizer de São Paulo, ou “o reino de Deus dentro do homem”, então a experiência do nosso divino Eu é a experiência do próprio Deus. O Deus imanente ao homem é o Deus transcendente do Universo.
O homem que chega a essa experiência vital chegou ao conhecimento da verdade — da verdade libertadora.
E só esse homem é sólida e irrevogavelmente feliz.
Sem essa experiência o homem é infeliz, no meio de todos os seus gozos.
Com essa experiência o homem é feliz, mesmo no meio de sofrimentos.
Felicidade ou infelicidade não são estados do Eu central, são algo que o homem é, e não algo que ele apenas tenha.
A perfeita harmonia do Eu humano com a Realidade divina é a felicidade.
Somente o homem, individualmente, pode-se fazer feliz ou infeliz

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